terça-feira, 26 de março de 2013



foi o último dia
foi a última lágrima
foi o ultima lealdade
foi a última noite
foi o último suspiro de cansaço
foi o último pensamento
foi a última despedida
foi a última fuga
foi a última mentira
foi a última verdade
é o último expurgo
foi o último rancor
é a força da felicidade
que está querendo chegar
é a força de vontade
de não ser o último amor
de ser a último dor
é a desconstrução que acaba de começar
tijolo por tijolo, serão todos demolidos
e será tudo reconstruido
sem você por perto, em nenhuma parte
Adeus você que hoje é o último dia,
da minha última parte que ficou inteira
eu vou reluzir e você não estará mais lá
pra ver brilhar
Eu to partindo do mundo sozinho que fiquei
E tudo ficará vazio, até expirar
E será como se nenhum de nós tivéssmos existido.
Seja Feliz
Serei feliz, como sempre fui, antes de você chegar
Antes de você partir
É o último Adeus
E foram as últimas palavras.

domingo, 24 de março de 2013

Uma oscilação entre a fome de viver e realizar com a vontade de impregnar tudo de vazio pra tentar não sentir mais o vazio que ta dentro de mim.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Então você entra na fase de querer arrumar toda a bagunça. Começa a se dar conta de quantos pedaços existem de você espalhados por aí e não sabe nem por onde começar, mas quer, já é um começo.
É como quando uma guerra chega ao fim, você contabiliza as baixas, as batalhas vencidas, os erros e os acertos. O que julgo ser a maior verdade por aqui hoje, é que como no final de toda guerra, muito de tudo ficou arrasado. Cicatrizes estão por todo lugar. Você vem de uma estrada longa, por onde passou e levou muito de outros e deixou muito de você. E cada parada nessa estrada de vida, em todas suas peculiaridades existe a transformação. Não é mais possível ser mais a mesma... não mais. 
Andei passando por ai, conhecendo de tudo um pouco. Mantive-me de pé, me vesti da ideia que sou uma rocha, que não arreda, não arrega e não desiste. E consegui.
Mas foi a última vez. Cada porrada intocada que peguei, mesmo junto, feriram demais, latejaram e me impregnaram demais, me inundaram com tudo que pedi pra não sentir mais. Uma puxada de tapete decepcionada, como se abrisse as portas da minha casa para um ladrão que viesse me roubar. Me roubar esperança, me roubar alegria, me roubar fé no ser humano, me roubar de mim. Quando me vi por várias vezes esquecendo de pensamentos que defendo, para colocar a cabeça no travesseiro e chorar aquela ausência sofrida, cheia de perguntas sem respostas, cheia de mágoa e cheia de alguém que eu se quer reconheço.
A gente vive esses dias achando que ja viu de tudo. Mas o sentimento de decepção, não vem no rótulo, na verdade nada vem.
Eu cansei de conhecer pessoas no início e não saber quem são na verdade no final. Eu cansei de conhecer e cansei de finais. Cansei de casais, cansei do amor, cansei de paixão, cansei de frios na barriga, cansei de carinho, cansei de fazer amor, cansei de filmes embaixo do edredom, cansei de compartilhar, cansei de dedicação, cansei de dizer eu te amo... Eu to realmente muito cansada de tudo isso que é um relacionamento. E não, essa não sou eu. Essa é a pessoa que me transformei, essa é a pessoa que ele transformou. Essa é a pessoa que o mundo lapidou, que não deu trégua, que condenou. Eu tentei, juro como tentei, não me deixar transformar dessa maneira e me manter forte naquilo que eu acreditava, mas o cansaço não me permitiu e eu desisti. Prefiro assim, quero paz, preciso dela, tê-la seja talvez a única coisa que eu não tenha me cansado de buscar.

Eu andei por aí um dia desses, vigiando tuas ruas, frequentando teus centros e invadindo teus becos. Não quis bater na tua porta, muito menos te incomodar. Já pensaste minha voz alta e meu riso desbocado invadindo os corredores da tua vida? Não, não! Evitei passar perto. Cara amarrada, calçadas opostas e vidas distantes sempre combinaram mais com a gente.
Mas fiz dos teus vilarejos, os meus. Sem te avisar, aproveitei que tu não estavas e passeei por ti, caminhei por nós e fiz questão de te ver nos sotaques e paisagens que me fizeram tão bem. Pelas manhãs, visitei tuas igrejas e emprestei tuas orações. E numa dessas tardes, pisei no chão que te projeta e nele o reflexo era eu. Fui por dias tuas raízes, tuas estradas e tuas histórias. Eu entrei em ti! E tu do lado de fora ficaste! Ué, estranhei por quê? Novidade alguma.
Só que minha volta tinha data marcada e sem meios, nossos inícios anteciparam o fim. Sairia caro ficar, então preferi voltar. Até porque, eu também pude constatar, cedendo minha vaga pra outros estrangeiros e me despatriando de ti, tenho sido bem mais feliz. Pego o trem das três, abandono tua cidade e desembarco na última estação. Talvez eu te mande notícias, mas não perde teu tempo fingindo esperar.
Agora varre teus aposentos que tem gente nova chegando por aí. E tu deves fazer bonito pra impressionar! Põe tua melhor roupa e ensaia tuas mais fofas mentiras. Não me decepciona, hein?! Os que virão também precisam te ouvir e em cada jura tua, acreditar. Eu sei que tu consegues, é contigo! Até nunca mais.


(Próxima Estação, por Petterson Farias)

Talvez um dia eu te perdoe pelos dias de desordem e caos. Pelo tempo fechado que o teu temperamento provocou e pelas janelas que tu deixaste abertas de propósito, só pra eu me molhar. Até porque, mais que eu, tu conheces cada canto dessa casa que deixaste desarrumada, assombrada pelas tuas falhas e corroída pelas tuas inseguranças. Preciso falar do trabalho que deu pra reorganizar?
Não agora, porque me falta pressa, mas até mesmo pela tormenta que foi gostar de alguém que nunca se importou e conseguiu ser alheio ao próprio mundo, talvez eu te perdoe. Se sobrar tempo, ainda me coloco no teu lugar e compreendo melhor teus vinte e dois anos numa mesmice de quase 70 só pra eu te malquerer bem menos, tá? E não se engane, é possível, sim, que eu não mais lembre das tuas frases pela metade, te esqueça por completo e dos teus sorrisos dissimulados eu resgate minhas expectativas, minha alma e meu futuro feliz.
Quem sabe, daqui uns anos, a gente não se encontra por aí, alheios ao passado, distantes de tudo que juntos tentamos ser?! Prevejo, inclusive, maturidade de ambos os lados e bem mais responsabilidade com as palavras, o tato e as reticências. Confesso, me faz até bem imaginar a franqueza ocupando o lugar que outrora fora das nossas tentativas atrapalhadas e de um sentimento egoísta e mesquinho apelidado de amor.
Mas mesmo assim, há o risco de eu nunca te perdoar pelo estrago que fizeste nos meus textos e de ainda te culpar pelo abismo imenso que ficou entre eles e alguma coisa boa que os fizesse sorrir. Porque de todas as camadas e instâncias que tinhas permissão pra bagunçar, esse era o espaço que eu havia reservado só pra mim, era o meu melhor jeito de estar só. Quarto trancado, não permitido pra ninguém vagar. Mas até nele, tu te intrometeste.
E por culpa tua, eles carregaram tuas digitais, codificaram teus traumas, ironizaram teus segredos e se arrastaram atrás de ti por longos e penosos dias. E pra isso não há perdão! Só por isso, juro que eu seria capaz de te condenar por toda vida. Pois ainda que se arrume a casa, se clareie o tempo e se construa um novo futuro, me sobram os cômodos vazios, as fragilidades admitidas e os amores controversos sobrepondo, substituindo e sufocando as felicidades que meus textos nunca mais vão conseguir descrever.


(São só hipóteses, por Petterson Farias)

quarta-feira, 6 de março de 2013

Eu tenho andando muito confusa. Surtando da minha cabeça, surtando mesmo. Eu estive passando por altos e baixos durante a última semana. Uma mistura maluca de decepção, com saudade e de não saber o que pensar. Eu tenho perdido muito tempo tentando imaginar o que se passa na cabeça dele e a única conclusão que eu consigo chegar é desamor, descaso. Tento me convencer de que posso deixá-lo pra trás de que e melhor assim, mas não consigo. Sinto amor demais dentro de mim e isso ta me corroendo. Passo dia após dias tentando viver como se ele nunca tivesse passado na minha vida e me surpreendo chorando uma falta que aperta meu coração e me pedi pra não fazer isso.
É uma vontade absurda de ouvir a voz, de saber como ele está, como está a vida, do dia dele, de dividir minhas angústias e meus medos que são tantos.... principalmente de perdê-lo pra sempre. Mas eu não posso mais... tem uma distância se instalando entre a gente que me faz não reconhecer ele, um espaço vazio que tem se preenchido com tanta mágoa, saudade e decepção. Uma sensação que de repente virei uma boneca descartável, que de repente não servia mais pra nada então fui deixada de lado. Deixada de lado por alguém que conquistou todos os dias, que cativou com tanto esforço, carinho e aparente amor, um coração que estava relutante em se entregar, relutante demais. Mas foi amor demais e eu de repente me vi envolvida por todos os lados e desisti de fugir. Eu amei demais esse cara e hoje eu não consigo mais nem reconhecer ele. Eu quero me desprender, eu quero seguir em frente e parar me remoer em porques e em saudade, porque sentir a falta dele tem matado muita coisa boa dentro de mim.
Nesse caminho tortuoso que venho caminhando, tenho visto ficar pra trás minha fé, minha disposição, motivação... É como se eu definhasse no desgosto de me ver morrendo cada dia um pouco, como se um pedaço tivesse sido arrancado de mim.
E me questionam constantemente como pode em tão pouco tempo... E eu respondo dentro de mim que tantas vezes, muito mais tempo do que esse pouco, nunca fizeram eu me sentir dessa forma.