terça-feira, 5 de abril de 2011

Quando eu era criança admitia tacitamente as colocações descreditantes por não levar a vida tão a sério. Subconscientemente eu sabia ser extremamente apropriado a minha idade ser de tal maneira. Pois bem, cresci. E continuo admitindo, da mesma maneira, tácita, que essa foi uma das minhas primeiras verdades, como um primeiro mandamento que minha personalidade gritou como fixo e imutável.
Com alguns bons e poucos anos nas costas, passivamente aceitei que pra sempre assim seria. Mas hoje sei que permito consciente que tal leveza se manifeste, mesmo que em descrédito das personalidades empedradas que se deixaram endurecer e amadurecer o senso de responsabilidade mais do que deveriam.
Hoje não me considero mais inconseqüente, só penso, falo e faço esperando que seja entendido como quando os meus olhos e senso julgam. É fato que nem sempre dá certo, é óbvio que não. Mas conscientemente a muito tempo eu assumi o risco. E não levar a vida tão é sério é uma conseqüência que me deparo todos os dias, algumas vezes penso que tenho muito o que aprender com tal escolha tão arriscada, mas na grande maioria das vezes encaro a conseqüência dessa escolha com louvor, um louvor interno, da minha alma para minha personalidade quando se expressa genuinamente. É uma das poucas coisas que sempre soube desde o início que seria pra sempre e é simultâneo à minha existência.
Eu ainda vou ser uma criança bobona com 80 anos de idade, se meu tabagismo insistir em ficar, assim permitir. Admitindo isso hoje, eu me permito crescer mais um pouco e olho com um certo pesar pras pessoas que deixaram, se um dia tiveram, esse lado pra trás.
O descrédito dos olhares tortos me causa alguma coisa que encolhe o coração, pois eu tenho uma tendência muito tendenciosa à achar que os tortos guardam um tanto a mais do que deveriam... de tristeza ou amargura e carregam um peso mais pesado que tira um pouco de brincadeira da vida com a seriedade fora de hora. Um convite de leveza e alegria descabida e absolutamente fora do contexto constantemente seria meu epitáfio perfeito no final.

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